Enquanto as melodias sussurravam versos de amor em meus ouvidos, ensurdeci
Enquanto os meus olhos vislumbravam as eternas paixões platônicas, emudeci
Enquanto os encontros brilhavam feito vagalumes em minha janela, desapareci
Quando me fiz presente, atento aos ventos e em plenos pulmões pra viver, envelheci.
Escrever sempre foi um passatempo muito valioso, e nos rascunhos espalhados por aí reside um pouco de mim, quem quiser, delicie-se.
sexta-feira, 15 de julho de 2016
Quanto
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Alcunha global
Não ia ter crise. Teve!
Não ia ter Copa. Teve!
Não ia ter golpe. Teve!
Ia ter fim do mundo. Não teve...
Ai a treva se espalhou
Mesmo entre polvos e lulas
Diga-me de uma vez por todas:
Temer ou não temer?
domingo, 29 de novembro de 2015
Reino intergalático
As luzes
reboleiam vagarosamente,
Já falta
resistência às cansadas pálpebras.
Grumos
insanos de fantasia grudam-se a realidade
Transformando-a
em experiências inimagináveis.
Antes do
sono se apoderar completamente,
Um
pensamento consistentemente fulgás
Mantém aceso
algum estado de alerta,
Engatilhando
as últimas reflexões de um dia longo.
Tudo começou
lá pros idos de oitenta e oito
Quando um rei caçula desabrochava para o Sol.
Entre dois
outros astros, logo os progenitores
Notaram a
sensibilidade aguçada de tal majestade.
Sua força
gravitacional atraiu uma atmosfera
De bom humor
e vivacidade, entretanto,
Cometas
desgovernados quase desviaram
O pequeno
príncipe de sua gloriosa trajetória.
Apesar da
nobre alma, o convívio com plebeus
Deu vida
àquele exuberante planeta,
Moldando um
relevo de simplicidade ímpar
E formações
pétreas de respeito inenarráveis.
E eis que o planeta real ingressa em um
universo
Repleto de
nobres, pregando com fervor a teoria
Que deveriam
se apegar às suas bases geológicas
Valorizando
a posição de destaque incondicionalmente.
Apesar de
certa soberba, o sábio rei se manteve em órbita,
Figurando
como personagem das mais distintas constelações.
E quanto
mais tomava ciência de seu brilho reluzente,
Maior era a
vontade de compartilhar sua cintilância.
Ao começar a
busca pelo companheiro de trono,
O corpo celestial se depara com um lixo
cósmico
Que suga
suas energias e abre caminho
Para uma era
glacial de trevas e solidão.
Já cobiçado
pelos habitantes da corte,
O rei decide
passar seu tempo ocioso
Em galáxias densas
dos mais diversos astros
Trocando
atenções rápidas com satélites.
“Satélites!
Nunca se
sabem quando serão atraídos pela nossa gravidade!”:
Pensava o
rei entediado.
Fato que
nenhum deles possuía a complexidade digna da corte.
Estranho
momento em que um satélite retorna a órbita real.
Seria
prudente manter em órbita aquele
Que viera da
mais suja e indecente das galáxias?
Entre tédio
e vontade de respirar novos ares, o rei diz sim!
Na espera de
mais do mesmo, algo chama atenção:
Um diálogo
extenso reservando o trivial pro final.
Estranho pra
um satélite ordinário, mas
Suficiente
para atiçar levemente a curiosidade real.
Enquanto
ajustavam-se os campos magnéticos,
Tamanha foi
a surpresa cortesã quando,
Retornando exausto
de uma galáxia distante
O corpo
celeste oferece uma lembrança ao rei.
Lisonjeado,
o rei baixa o decreto:
“De agora em
diante, certeiro vos falo,
Não és mais
um satélite, mas um belo regalo!”
Caminho
aberto a uma avenida de emoções.
Não tardou para
a física, e essa não falhou.
A
proximidade intensa fez a revolução:
Reajuste de
gravidades e novas órbitas!
Seria o
caminho mais adequado ao trono?
Para delírio
dos súditos, uma nova conformação
“Rei
feliz?”, ‘Sim senhor!’, com pompa e distinção
Tudo rosas e lírios, a não ser um porém
O rei quer
tudo em ofício, sem tirar nem pôr!
É chegado o
momento do novo big bang
Corajoso e
sensato, o rei prepara suas armas
E no
primeiro dia da nova Era, o anúncio aguardado:
“Caríssimo
amado, podemos nos tornar um só reino?”
Observaram-se
pequenas erupções vulcânicas,
Alguns
tornados se formaram no estômago,
Tremores da
crosta foram sentidos,
Mas houve a
tão esperada concordância.
Dois anos,
onze meses e vinte e nove dias.
Tímido grão
de areia temporal no universo
Em que reis
se curvaram, planetas se amaram
E o trono
abrigou mais memorável união dentre todas as galáxias!
Enfim, o
sono suplanta o alerta
Sonhos
repletos de reis, planetas e galáxias!
Surpresa e
satisfação ao acordar
E descobrir
que tudo não passou da mais pura verdade...
domingo, 22 de novembro de 2015
Ré-formulações
O entardecer chegava sob o anúncio do manso apito da maria-fumaça. As galinhas iam vagarosamente se aninhando no poleiro. A Lua, ainda tímida, dava breves sinais de sua majestade noturna. Nesse cenário se encontrava Rogério, escorado na mangueira que plantara quando menino. "Vou plantar essa árvore no topo do mundo!", lembrava das palavras que proferia enquanto cavava um túmulo para a semente que, em poucos meses, se refletiria em vida. Pena que nem todos os túmulos eram iguais... Já se passara exatamente um mês desde que Luan decidira partir para uma viagem de destino imprevisível e sem perspectiva de retorno. "Um ciclo natural", "Eram os planos de Deus", "O tempo irá curar sua dor", foi o que disseram. Que ciclo é esse sem possibilidade de recomeço? Que Deus planejaria levar uma de suas crias aos 23, no auge da juventude? Quanto tempo seria necessário para conter aquele derramamento de lágrimas sem fim? ... Solidão... Era o único paliativo do momento. Perdido em seu santuário e absorto em pensamentos, a dor adormecia e o permitia momentos fugazes de felicidade. Fosse uma tarde juntos arquitetada pela imaginação, ou o primeiro abraço arquivado nas lembranças. Fosse um sonho de ressurreição ou uma visão processada por alucinógenos. Fosse o toque dos lábios simulado pela brisa ou o silêncio total que reinava após uma noite de amor... Quando tudo parecia bem, a realidade chegava cruel e desmoronava os breves momentos de paz. E era exatamente num desses choques de realidade que Rogério se encontrou quando o Sol terminava de se pôr. Juntando esforços inexistentes, ele se levantou pra vislumbrar os instantes finais do astro maior naquele dia. A cada minuto ele se escondia mais um pouco, até sobrarem apenas frágeis raios e então nada. Ao cair da noite, Rogério despencou na verde grama a chorar. Mais uma vez ele presenciara a morte em uma de suas milhares de facetas e já sentia que aos poucos ela ia apoderando-se de si. Malnutrido, desidratado e sem a mínima vontade de prosseguir ele adormeceu, imaginando que encontraria Luan naquela noite, onde quer que ele estivesse. E assim, adormeceu para o que seria seu último sono... Como esperado, lá estava seu amado. Desnudo, com um lindo sorriso e braços abertos para recebê-lo. Enfim havia acabado todo o sofrimento e eles poderiam desfrutar da companhia mútua por toda a eternidade, como profetizaram nas promessas. Inúmeros foram os abraços e beijos do reencontro. Os sentimentos eram a matéria única da nova forma desprovida de corpo físico. Intensos, ardentes, transcendentais! Duas almas sabidamente separadas em outras eras optaram por se unir novamente, desfrutando de todos os prazeres que tiveram em vida. E, no gozo final, ambas se fundiram em uma só, ultrapassando os limites do universo sob uma melodia cósmica perfeita. De repente, veio mais uma vez o silêncio pleno e a escuridão total. Instantes depois, a nova criatura se encontrou no que julgou ser uma compacta caverna marítima, cercada de denso líquido e pegajosas algas. Em um ato de desespero claustrofóbico, encontrou uma estreita passagem e adentrou no que esperava ser a saída daquele terror. Tragado por uma força desconhecida, o corpo, que já parecia físico novamente, deslizou por um longo canal. Uma luz começou a ser vista e um som estridente era ouvido ao longe. Quando o trajeto se encontrava perto do fim, Rogério acordou. Mais uma vez um sonho... A grama estava encharcada, assim como suas roupas, denotando que havia chovido durante a noite. O dia estava claro e o Sol já estava nascendo. Ao levantar e procurar seu inseparável pilão, reparou que a chuva o havia enchido de água. Decidiu beber. Duas mangas maduras, provavelmente derrubadas pela chuva, se encontravam nos arredores. Sem pensar muito, as comeu. Ao final, ficou algumas horas a observar aquelas sementes e tomou a iniciativa de plantá-las. Quando o Sol estava a pino, Rogério respirou fundo e encarou o horizonte. Se deparou consigo mesmo e atinou que a dor ainda estava ali, as lágrimas ainda caiam, as forças não haviam voltado... Porém havia alguma coisa, algo sutil, que estava diferente. Pegou seu pilão e começou a descer, deixando seu santuário para trás. Sem rumo, sem propósito, mas certo que já não pertencia àquele lugar...
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Flor de Ahá
Trem percorre veloz
o belo horizonte de vales
Que desperta novo desejo
De velejar por outros mares
Distâncias quilométricas
Encurtadas sapientemente
Por inabaláveis laços
De miscelâneas sentimentais
Na bagagem trago um Sol
Pra guiar as aventuras
De dois seres que se encontram
Em multiplicidades de emoções
Tomado por sorrisos bobos
Sobrevôo a grande ilha
Mergulhado em lembranças
E respirando expectativas
Eis que um frio na barriga
Anuncia o grande momento
Em marcha tu vens ao longe
Munido do mais cativo afeto
Brumas nebulosas transbordam
Fragilidades transparecem
Chagas de jovens guris
Confusos com a incômoda realidade
Na batalha que se sucede
A tequila aniquila o cansaço
Embalados por velhas canções
Sentem a doce vida reavivar
Entre fantasias e imaginações
O mundo contorce e distorce
Em dimensões ocultas de felicidade
Comportando possibilidades impossíveis
Então o Sol brilha mais forte
Iluminando cenários paradisíacos
Queimando as velhas mágoas
Anunciando as rotas a seguir
No mais alto cume de sintonia
O mundo inteiro se desfaz
As horas voam sobre a flor
Olhares, palavras, gestos: nada mais!
Já em beiras de perfeição
O cruel final se aproxima
Com turbilhão de sensações
Salpicado de bela melancolia
Sinto então a dor do parto
Em meio a uma declamação
Nuvens condensam em meus olhos
Lágrimas se derramam ao chão
A tempestade se dissipa
Em meio a abraços e carinhos
A serenidade tão esperada
Faz o meu corpo de ninho.
Mais uma vez um adeus,
Até logo ou até breve
Mala pesada de experiências
Alma grata, feliz e leve!
Quando o tuor enfim termina
Sobram rimas, prosas e versos
E acima de tudo você
Pedacin do meu universo!
o belo horizonte de vales
Que desperta novo desejo
De velejar por outros mares
Distâncias quilométricas
Encurtadas sapientemente
Por inabaláveis laços
De miscelâneas sentimentais
Na bagagem trago um Sol
Pra guiar as aventuras
De dois seres que se encontram
Em multiplicidades de emoções
Tomado por sorrisos bobos
Sobrevôo a grande ilha
Mergulhado em lembranças
E respirando expectativas
Eis que um frio na barriga
Anuncia o grande momento
Em marcha tu vens ao longe
Munido do mais cativo afeto
Brumas nebulosas transbordam
Fragilidades transparecem
Chagas de jovens guris
Confusos com a incômoda realidade
Na batalha que se sucede
A tequila aniquila o cansaço
Embalados por velhas canções
Sentem a doce vida reavivar
Entre fantasias e imaginações
O mundo contorce e distorce
Em dimensões ocultas de felicidade
Comportando possibilidades impossíveis
Então o Sol brilha mais forte
Iluminando cenários paradisíacos
Queimando as velhas mágoas
Anunciando as rotas a seguir
No mais alto cume de sintonia
O mundo inteiro se desfaz
As horas voam sobre a flor
Olhares, palavras, gestos: nada mais!
Já em beiras de perfeição
O cruel final se aproxima
Com turbilhão de sensações
Salpicado de bela melancolia
Sinto então a dor do parto
Em meio a uma declamação
Nuvens condensam em meus olhos
Lágrimas se derramam ao chão
A tempestade se dissipa
Em meio a abraços e carinhos
A serenidade tão esperada
Faz o meu corpo de ninho.
Mais uma vez um adeus,
Até logo ou até breve
Mala pesada de experiências
Alma grata, feliz e leve!
Quando o tuor enfim termina
Sobram rimas, prosas e versos
E acima de tudo você
Pedacin do meu universo!
domingo, 26 de outubro de 2014
Demo Cracia
Homúnculos embriagados
travam intensas cruzadas
embasadas em convicções vazias.
Crostas de insobriedades
e munições de ofensas
financiam a guerra iminente.
Destroços e poças de sangue
se misturam a vorazes olhares
contemplando o revés alheio.
Saudades tenho de quando
estrela era só um astro
e tucano só um pássaro.
travam intensas cruzadas
embasadas em convicções vazias.
Crostas de insobriedades
e munições de ofensas
financiam a guerra iminente.
Destroços e poças de sangue
se misturam a vorazes olhares
contemplando o revés alheio.
Saudades tenho de quando
estrela era só um astro
e tucano só um pássaro.
Assinar:
Postagens (Atom)



