Madrugada silente que invade o sono dos angustiados e passeia pelos distantes rincões da mente, por que insistes em revirar tão fundo poço? Revisitaste tal aposento há muito abandonado e recuperaste memórias que ficaram soterradas em um passado melancólico... De onde tiras tamanha força? Por que és tão cruel? Arrancaste lágrimas de um deserto sentimental inerte e causaste uma revolução em um campo até então estéril. Tu vens como um oásis ou como uma tempestade de areia? Queres sepultar de vez tais reações ou reavivar as comatosas esperanças?
Escrever sempre foi um passatempo muito valioso, e nos rascunhos espalhados por aí reside um pouco de mim, quem quiser, delicie-se.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
terça-feira, 9 de outubro de 2018
Nebulosas
Esplêndidas nuvens
Em céu de vazio horizonte
opacionam a grande lua
E estrelas a brilhar
Adensam-se no canal
De beira mar agitado
Anunciando que o calor
não mais tarda a zarpar
Irrompem-se em trovões
Num recital de tambores
Espantando humanóides
Salientes a cantar
Se derramam majestosas
Em tromba D'água real
atraem almas em bolores
Tão sedentas a dançar
Devagar então se extinguem
Entre formas mil e cores
Na certeza de que amores
Sim souberam conquistar
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
(In)Definição
Amor
De substantivo abstrato a sentimento concreto
De corrosivo a energético
De incoerente a conclusivo
Ah, o amor
Que edifica destruindo
Acalma esbravejando
Ampara em queda livre
Definitivamente amor
Sedutor
Instintivo
Avassalador
Finalmente amor
Realizador de sonhos
Emancipador de existências
Acolhedor incansável de almas
Decadência
A sensatez bate a porta
Mas a insanidade já faz morada
Doces dias de solidão
Cuja melancolia bastava
Dos porões da realidade
Aos confins dos desejos
Outrora camuflados
Em tumbas exumadas
O vento já enfraquece
A resiliente folha pendurada
E mais do que breve
O frio outonal reinará
Sucumbem convicções
Em campos de interrogações
Os fins não mais são capazes
De justificar os meios vis
Calo-me em meio a lágrimas
Busco sentido nas nuvens
O chão deixa de ser o limite
Da não mais sutil imaginação
Me perco no horizonte
Pra talvez me encontrar adiante
Um pântano de sentimentos
Uma areia movediça de mim
Hei de aquiescer
Quiçá crescer
E na brisa derradeira
Irá uma flor nascer?
Suposição n.1
E se de repente
Ela viesse me visitar
Com seu manto majestoso
num fim de tarde?
Seria cauteloso com os preparativos:
Decoraria a sala de estar
Vestiria meu smoking preferido
Escreveria versos sentimentais
Apreciaria os noturnos de Chopin
Me emocionaria com as aventuras de Amelie
Degustaria um confit de canard
Acompanhado de um tradicional Lafite
Me deliciaria com a chuva
O ruído tranquilizante na janela
O cheiro suave de terra molhada
O acariciar de seus pingos sobre a pele
Me aqueceria na lareira
vislumbrando entre as fagulhas
Um longa metragem de emoções
E desventuras baseado em fatos reais
Me despiria de todos infortúnios
Iria para cama nu em pelo A espera daquela que me faria Encontrar a outra face da felicidade De olhos cerrados Sentiria o roçar de seu manto retirado As carícias dos seu longos e gélidos dedos O prazer da união de dois corpos sedentos E num rompante de prazer Sentiria o calor de meu corpo Se esvaindo pelo órgão fálico em um longo e último suspiro Já tendo a cama como jazigo Seria o mais vivo dos seres Em alguma dimensão que nem Os sagazes poetas ousam descrever
Iria para cama nu em pelo A espera daquela que me faria Encontrar a outra face da felicidade De olhos cerrados Sentiria o roçar de seu manto retirado As carícias dos seu longos e gélidos dedos O prazer da união de dois corpos sedentos E num rompante de prazer Sentiria o calor de meu corpo Se esvaindo pelo órgão fálico em um longo e último suspiro Já tendo a cama como jazigo Seria o mais vivo dos seres Em alguma dimensão que nem Os sagazes poetas ousam descrever
Ao êxtase
Sussurros ao entardecer
Prenunciam apocalípticas implosões
De vorazes, ardilosas
e pretensiosas sensações.
Quimeras colossais
Apoderam-se de almas banidas
De seus excrementais
Paraísos artificiais.
Sob a cólera dos deuses inventados,
Desnudam-se os fiéis incrédulos,
Inflados de fantasias
E pecaminosos condimentos.
A tsunami em forma fálica
confere tesão a uma noite
Plenamente regada
De proibidos prazeres.
Silêncio...
Ofegação...
Gemidos...
Gritos!
Miscelânea de sentidos
Reunidos em uma tênue fronteira!
Ápice de prazer resenhado
Em jatos propulsores de plena satisfação...
Carícias..
Olhares...
Silêncio.
O cruel coração universal
Ritmado em infinitos tic-tacs
Teletransporta-nos vagarosamente
À fiel e incômoda realidade.
Insossa.
Dura.
Branca.
Eis que em instantes fugazes,
Vis lembranças banham a mente
De ardilosas recordações.
O desejo temporariamente aterrado
Recomeça a brotar
E vigorosos caules atiçam
A sobre humana vontade de ser humano.
Um minuto.
Um contato.
Um até mais.
Por que prender-me ao calabouço
Se posso esbaldar-me à beira do cais?
Prenunciam apocalípticas implosões
De vorazes, ardilosas
e pretensiosas sensações.
Quimeras colossais
Apoderam-se de almas banidas
De seus excrementais
Paraísos artificiais.
Sob a cólera dos deuses inventados,
Desnudam-se os fiéis incrédulos,
Inflados de fantasias
E pecaminosos condimentos.
A tsunami em forma fálica
confere tesão a uma noite
Plenamente regada
De proibidos prazeres.
Silêncio...
Ofegação...
Gemidos...
Gritos!
Miscelânea de sentidos
Reunidos em uma tênue fronteira!
Ápice de prazer resenhado
Em jatos propulsores de plena satisfação...
Carícias..
Olhares...
Silêncio.
O cruel coração universal
Ritmado em infinitos tic-tacs
Teletransporta-nos vagarosamente
À fiel e incômoda realidade.
Insossa.
Dura.
Branca.
Eis que em instantes fugazes,
Vis lembranças banham a mente
De ardilosas recordações.
O desejo temporariamente aterrado
Recomeça a brotar
E vigorosos caules atiçam
A sobre humana vontade de ser humano.
Um minuto.
Um contato.
Um até mais.
Por que prender-me ao calabouço
Se posso esbaldar-me à beira do cais?
sábado, 25 de novembro de 2017
Vendaval
Vento voraz que varre colinas
Vertendo dor em tranquilo vale.
Vós sois o mais cruel sopro
Usurpando a mais nobre das vidas
Vertendo dor em tranquilo vale.
Vós sois o mais cruel sopro
Usurpando a mais nobre das vidas
Que viestes veloz, é o seu direito!
Mas derrubastes a mim, que sou vil...
Cavastes agora profundas valas
Avariando incontáveis corações
Mas derrubastes a mim, que sou vil...
Cavastes agora profundas valas
Avariando incontáveis corações
Não vistes o mal que causastes?
Sabes como reverter tal covardia?
Me convenço que não mais me ouve...
Partistes deixando imenso vazio.
Sabes como reverter tal covardia?
Me convenço que não mais me ouve...
Partistes deixando imenso vazio.
Ah, vento, por que tão vadio?
Uiva sobre meus prantos
E num deboche convida
O pesaroso crocitar dos corvos.
Uiva sobre meus prantos
E num deboche convida
O pesaroso crocitar dos corvos.
Pensas que vou sucumbir? Talvez...
As trevas de um anoitecer sinistro
Traçam planos maquiavélicos
Cavalgando rumo a uma caverna fria
As trevas de um anoitecer sinistro
Traçam planos maquiavélicos
Cavalgando rumo a uma caverna fria
Cantastes vitória, estimado vento!
Zombastes de nossos sentimentos
Cravando uma estaca crua e seca
No peito dos servos da amada rainha
Zombastes de nossos sentimentos
Cravando uma estaca crua e seca
No peito dos servos da amada rainha
Vosso estrago já estás feito
E se quiseres ir agora, vá!
Nem ao menos fostes convidado...
Mas se quiseres ficar, observe.
E se quiseres ir agora, vá!
Nem ao menos fostes convidado...
Mas se quiseres ficar, observe.
Veja que há um mar de lágrimas
Que vazam carreando amor e gratidão.
Veja que há aviltante desespero,
Mas nas veias o fluido vermelho carrega a semente!
Que vazam carreando amor e gratidão.
Veja que há aviltante desespero,
Mas nas veias o fluido vermelho carrega a semente!
Ah, vento, arrancastes a árvore mãe,
Mas teus frutos já floresceram!
Trouxestes o inverno rigoroso,
Mas com o tempo a Primavera virá!
Mas teus frutos já floresceram!
Trouxestes o inverno rigoroso,
Mas com o tempo a Primavera virá!
E mesmo vós, hoje odiado,
Voltarás como brisa,
Trazendo memórias vívidas
A uma floresta verdejante!
Voltarás como brisa,
Trazendo memórias vívidas
A uma floresta verdejante!
Caro vento, assim termino minha carta a vós
A vós
Avós
Avó
Vó.
A vós
Avós
Avó
Vó.
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