quarta-feira, 18 de junho de 2014

Esvaindo

Luz lânguida, sôfrega e esparsa,
de sutis e débeis raios, que
paira inconstante no vão das árvores
e se desfaz fria no vazio do solo.

- Quando foi que abandonaste sua maestria? -

Outrora iluminava minha pueril face
e a fazia brilhar estonteante!
Destilava uma vivacidade ímpar,
repleta de inocência e sagacidade.

-Envelheceste com a mesma velocidade de meus cabelos brancos?-

Não eres mais a mesma. Nem tu, nem eu.
Mas ainda que tenhamos metamorfoseado,
curiosas sintonias ainda nos perseguem:
Assim como eu, tu também oscilas.

-Algum de nós carrega a chama na pesada tocha da culpa?-

Inconstantes percalços. Turbulências.
Advindas das formosas nuvens que pairam
retumbantes sob o céu, colorindo-o
de um vivo e esplendoroso rosa ao entardecer.

-Seria demais exagero o recorrente erro de cobiçar a beleza alheia?-

Não peço nem penso mais nada. Apenas espero.
Espero que voltes a cintilar com toda sua força,
pois assim como ti, eu pretendo ir nessa vertente:
O cobiçado regozijar. O eterno resplandecer!


-Mas até quando permanecerei nessa poltrona de sofrimentos e desilusões?-


sábado, 10 de maio de 2014

Motherflower

Floresceu!
Dispendioso botão, 
outrora em lúmen vazio,
na harmonia sepulcral do silêncio.

Tímida,
sufocada por majestosas
palmeiras imperiais ostentadas 
por séculos de divina pompa.

Ruídos!
Intensos murmúrios dissonantes,
rosnados entoados a léguas, 
intimidando tão raras pétalas.

Intempéries...
estrondososas tempestades de verão,
rigoroso frio de inverno,
cochonilhas sugando a preciosa seiva. 

Indignação!
Estúpidas raízes em fatigado solo, 
condenando tal raridade
a um lamentável cárcere perpétuo.

Decadência.
Ferrugem, oídio, manchas-pardas...
O brilho reluzente em avaria,
insuperável encanto desperdiçado.

Sopro...
Errante pólen alcançando
derradeiro estigma.
Desesperado resquício vital.

Hibernação.
Esforços inenarráveis de suprir
engatinhante embrião
crescendo em aconchegante útero.

Esperança!
Do ventre prolífero,
o crescente fruto revitaliza
caule, folhas e raízes, então exaustos.

Parto.
Do fruto às sementes,
e delas à discretos e singelos
brotos, sob a tutela daquela que os gerou.

Tempo...
inseparável companheiro, 
misto de alegrias e tristezas,
eternizando um laço de ímpar intimidade.

Enfim!
Progenitora e prole,
em perfeitos e síncronos sentimentos,
embelezando o jardim da vida!




domingo, 17 de novembro de 2013

Salve Drummond!

Enjoado com todo o murmurinho a respeito do fim do mundo, inauguração de estádio para a Copa e festas de réveillon, Maurício junta algumas peças de roupa em sua mochila de trilha e decide passar uns dias com os avós no interior.

A viagem é longa: Cinco horas e meia de ônibus! Pelo menos a estrada é boa. Basta algumas crônicas de Sabino, uma dose machadiana ou a sutileza de Clarice para a Rodoviária de Miraí chegar num piscar de olhos! Dessa vez, ele tinha decidido atravessar as montanhas mineiras com uma pitada poética de Drummond, já que, dias antes, seu professor de história medieval lhe presenteara com uma coletânea do famoso autor.

Acontece que, entre um poema e outro, Maurício foi transportado para um estado bem particular, aquele onde poeta, poesia e leitor dialogam, a ponto de nunca saber se tal diálogo foi real ou não passou de pura fantasia...

"ah PORQUEAMOU
e se queimou 
todo por dentro e por fora nos cantos nos ecos
lúgebres de você mesm(o,a)...?"                     , pergunta Drummond.

Amei porque parecia bom,
Intenso! Imenso!
Fraterno como o afeto... 
Eterno como a vida...                                          , pensa Maurício.

"E o que mais, vida eterna, me planejas?
O que se desatou num só momento
não cabe no infinito, e é fuga e vento."         , retruca Carlos.

Fugaz, mas inevitável.
Esganado por pecados,
inundado por uma culpa, 
que nem sei se possuo.                                       , admite Maurício.          

"Nem sabes se és culpado
de não ter culpa."                                                  , provoca de Andrade.

Há muito além disso que desconheço.
Oceanos de indagações e
chamas de insatisfações
queimando esse triste amor.                             , insiste Maurício.

"Amor triste? por que triste,
se é sempre forma de amor..."                          , sugere Drummond.

Triste pois chora,
e esbraveja-se após o gozo.
Mata um leão por dia
com farpas de carvalho.                                       , explica Maurício. 

"Se você sabe explicar o que sente, 
não ama, pois o amor foge 
de todas as explicações possíveis."                   , conclui de Andrade.

Não amo, pois o amor morreu.
É carcaça pútrida se desfazendo 
em um campo de jasmim.                                    , clama Maurício.

"O meu amor é tudo que, morrendo,
não morre todo, e fica no ar, parado."              , cutuca Drummond.
 
Ainda que reste uma chama efêmera,
o que diriam se eu a alimentasse
com louros de afeto?                                              , indaga Maurício.

"Que retrato de ti legas ao mundo?
Se são tantos retratos, repartidos..."                 , relembra Carlos.

O retrato de quem amou 
com a intensidade de um trovão!
Mas para reanimar o vulcão do amor,
O que esse servo deve oferecer?                         , questiona Maurício.

"Amor é dado de graça,
é semeado no vento, 
na cachoeira, no elipse."                                       , filosofa de Andrade.

Hei de recuperar o amor perdido,
assim que os ventos do interior
me empurrarem novamente
para o Belo Horizonte da capital.                       , decide Maurício.

"Qualquer tempo é tempo.
A hora mesma da morte
é hora de nascer."                                                   , finaliza Drummond.


Interrompido pelo motorista que lhe informava o fim da viagem, Maurício fechou o livro, recolheu seus pertences e desembarcou, ainda um pouco zonzo com o fantástico diálogo. Após alguns minutos refletindo sentado em um banco, Maurício vislumbrou um telefone público e foi em sua direção. Após discar alguns números pode-se ouvir:

-  Alô, Cris? Quer vir passar uns dias comigo em Miraí?

sábado, 16 de novembro de 2013

O último choro da infância

Era uma agradável manhã de sábado quando Enzo passeava com os pais na badalada rua 25 de março, coração de São Paulo. As compras de Natal já haviam se iniciado e Enzo, que completaria 12 anos semanas antes da esperada noite natalina, já sabia que seria agraciado com o videogame que cobiçara tanto e uma bicicleta nova para substituir a sua antiga e já surrada "companheira de viagens". Mas ele queria mais! A versão 3D de Detetive e um deck de cartas para incrementar seu magic. Era justamente por isso que ele resolvera acordar cedo naquele sábado e acompanhar os pais, ao invés de comparecer à sua sagrada escolinha de futebol. 

Sua determinação era tanta que, em pouco tempo, ele avistou uma loja perto da esquina com a Senador Queirós e convenceu os pais a entrar sob a justificativa de comprar o presente de sua prima Júlia. Em menos de dois instantes, ele já carregara um carrinho com seus brinquedos pretendidos e uma boneca miniatura para sua prima. Porém, os pais logo perceberam o golpe que estavam prestes a serem vítimas e ordenaram que Enzo devolvesse os demais presentes, escolhendo apenas uma boneca decente para Júlia. 

Como última estratégia, Enzo começou a chorar. Aquele choro pirracento e irritante que toda criança sabe fazer com perfeição! Entretanto, seus pais estavam determinados e não cederam à chantagem emocional. E então Enzo, derrotado, teve como única opção devolver os brinquedos em suas respectivas prateleiras e rumar, cabisbaixo, em direção à fila para que seus pais pagassem os enfeites de Natal e a boneca de sua prima. Surpresa dos três quando um senhor que acompanhou todo o "show" de Enzo cutucou a família e pediu permissão para presentear o garoto. Os pais de imediato negaram, então o senhor apenas tirou calmamente uma foto antiga de sua carteira e entregou aos pais de Enzo contando a seguinte estória: 

"Esse é meu filho. Na foto ele já está carequinha. Era a Leucemia! Um ano antes, ele me pedira um carrinho de controle remoto no Natal e eu neguei, pois queria juntar dinheiro para pagar sua Universidade. Em menos de um ano, descobrimos que ele tinha a doença, que evoluiu muito rapidamente. Ele se foi antes do Natal seguinte, e eu não tive a oportunidade de entregá-lo o carrinho que ele tanto desejara. Desde então, tenho salvo meus Natais presenteando crianças como seu filho. Ficaria muito feliz se me proporcionassem essa alegria, fazendo o que eu deveria ter feito há tantos anos atrás."

Os pais, bastante comovidos, acenaram positivamente para o senhor enquanto devolviam a foto. Ele, então, guardou a foto, pegou a caixa no chão e entregou para Enzo, dando-lhe um abraço repleto de carinho e desejando-lhe uma vida longa e repleta de felicidades! Enzo agradeceu, e completou dizendo que deveriam existir mais pessoas boas como ele no mundo.

O velho se despediu, deu as costas e seguiu seu caminho. Enzo o acompanhava com o olhar e sentia que algumas lágrimas escorriam pelo seu rosto. Ele sabia que aquelas lágimas não eram apenas simples lágrimas de criança, e que muitas delas ainda viriam. Um sorriso tímido se desenhou em seu rosto.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Lágrima solitária

Era primavera. Mais uma vez admirava pela janela o mar de ipês floridos que coloriam a cidade, enquanto me deliciava com um bombom que acabara de ganhar como presente de aniversário atrasado.

Uma cena corriqueira, confesso, já que sou um admirador nato da natureza, mas dessa vez havia algo diferente. Mais do que me fascinar com aquela paisagem, estava tomando coragem para ler o cartão que acompanhara o presente.

Era um simples envelope verde escuro, com um adesivo de morango que servia como um lacre sutil. Nada amedrontador, porém estava com receio do possível resultado do conteúdo ali presente sobre as minhas emoções.

Acontece que esse presente e o respectivo cartão tinham vindo de uma pessoa que em pouco tempo se tornara muito especial para mim e que, apesar de demostrar todo seu carinho nas sutilezas do dia-a-dia, nunca havia tido a possibilidade de declarar isso em palavras!

Palavras! Ah, as palavras! Elas são tão tocantes, tão poderosas e tão fabulosas! Não é à toa que me arrisco como um pseudoescritor! O impacto que elas tem sobre mim é avassalador!

Alguns bombons mais e a certeza de que não poderia reencontrar minha benfeitora sem dizer minhas impressões sobre os escritos, me deram a coragem suficiente para abrir e encarar as três folhas de carta/cartão que ali estavam.

O que dizer a respeito? Difícil! Quase impossível! Mas tentarei relatar de forma pelo menos inteligível, entretanto não posso garantir que conseguirei...

Logo na primeira impressão, foi possível perceber o cuidado que se teve com a construção daquela linda carta. Uma bela dobradura, folhas bonitas e com escritos apenas de um lado e uma letra impecável, sem rasuras e nem ao menos erros de pontuação ou acentuação. Até os espaços entre as palavras pareciam milimetricamente calculados, dando a certeza de que não houve deslize de atenção em nenhum detalhe.

Como um bom virginiano que sou, todo esse cuidado com os detalhes é extremamente bem vindo e bem valorizado! Porém, mais que um aspecto agradável, esse cuidado apenas refletiu o cuidado que essa pessoa sempre teve comigo durante todo o tempo que nos conhecemos. De sempre perguntar se eu estava confortável, de sempre ser agradável, de sempre tentar ser útil... Enfim, tentando proteger e cuidar bem de alguém que era aparentemente importante para ela: eu!

Isso já seria mais que suficiente, mas lá estavam elas: as palavras! Já nas primeiras linhas elas demonstraram que haviam vindo realmente da pessoa que as escrevera, e, enquanto eu lia, ouvia a sua voz dizendo aquilo tudo, como acontece naquelas cenas de filme!

Nada formal, nada de protocolos a se seguir! Simplesmente a transparência que almejo encontrar em todos os amigos. Isso já me fez abrir um sorriso!

Diferente de mim, que gosto de guardar as partes mais fortes para o final, essa pessoa me surpreendeu logo no início! 

"Considere-se meu melhor amigo!". Cinco palavras foram capazes de trazê-la: a lágrima solitária! Várias outras quiseram vir depois, mas não saíram! Aquela lágrima tinha um papel muito importante pra cumprir!

A carta continuou, e muito bem! Ora remetendo a acontecimentos passados, ora com tons de gratidão, ora com tons de apoio, mas sempre demonstrando todo carinho e cumplicidade tão importantes em uma amizade!

Ao longo da leitura, aquela lágrima solitária ia percorrendo meu rosto. A sensação dela caminhando lentamente parecia cravar de vez todos aqueles belos sentimentos que exalavam das palavras contidas naqueles papéis!

Poderia sim estar em prantos, tamanha a carga emocional daquela carta! Mas a lágrima foi única, tão única como essa pessoa é em minha vida e sempre será!

E por fim a lágrima caiu e foi morrer na última página da carta, bem perto da assinatura, encontrando seu destino e selando de vez algo que nasceu para ser eterno! 


domingo, 9 de setembro de 2012

Escrevendo

E cá estou eu andando em uma das locações mais movimentadas da cidade. Sei que ninguém escreve a respeito disso, e sei também que ninguém escreve nessas ocasiões, mas aqui estou eu, andando e escrevendo sem nenhum propósito aparente.

Talvez essa seja uma das minhas maiores esquisitices, uma vontade sobrepujante de escrever em lugares atípicos. É quase um vício, um impulso mais forte que qualquer iniciativa própria de controlar.

Foi assim quando pulei de paraquedas na juventude, quando esperava minha mulher no altar, quando fui trocar meu filho pela primeira vez e no meio de uma apresentação em um congresso internacional.

Não, não sou um escritor profissional, e nem sequer cheguei a publicar nenhum dos meus rabiscos, mesmo porque a maioria deles não tem nenhum sentido, a não ser para mim. Sou apenas um professor universitário de arqueologia perto da aposentadoria.

Os inúmeros psicólogos que já consultei deram diversas explicações para essa minha "compulsão": vazio interno, insegurança, ansiedade, fuga da realidade, entre tantos outros. Porém, nada que eles sugerissem diminuiu essa vontade extramundana de escrever, a que eu prefiro atribuir ao prazer!

De fato nunca tive vontade de entender as razões desse meu comportamento. Só procurei auxílio devido a insistência da minha mãe, minha mulher e meus amigos, que diriam que qualquer hora dessas eu poderia morrer atropelado num impulso descritivo (o que também não faz sentido, já que um dos meus instintos é olhar para os dois lados da rua antes de atravessar, mesmo quando a mesma é de mão única).

Acho que nunca descrevi as sensações que tenho com essa prática... Mas nesses momentos o coração bate mais forte, consigo sentir o sangue correr em várias partes do corpo, reacendo partes apagadas da mente, me transporto a vários mundos diferentes e consigo achar todo o discernimento que preciso para as horas difíceis. Quase um orgasmo intelectual!

Se isso não incomoda a mim, porque haveria de incomodar tantas pessoas? Não sei explicar, mas creio que são essas coisas complicadas de seres humanos não se adaptarem com coisas diferentes e incomuns...

Bem, mais uma vez matei minha sede literal, agora preciso me apressar para a próxima aula daqui a 10 minutos!


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Lenda Rural

21 de julho, 23:51, Araçagi, Paraíba. 

Vanioswalda atravessa rapidamente o pequeno córrego sobre a estreita e velha ponte sem parecer se importar com a falta de segurança. Valdinha, como era popularmente conhecida, fora valente desde nova, fato que seu tio atribuía a herança dos nomes dos avós paternos: Oswaldoyl e Vanicléia. Mas se tinha uma coisa que ela sempre temia era a madrugada do dia 22 de julho, que estava prestes a chegar... 

Já era sabido por todos que nesse dia o fantasma de Chiquinha, mulher de um dos fundadores da cidade, aparecia para assombrar todos aqueles que estivessem fora de suas casas e secar as plantações de fava dos indignos. Para esse último fato, agrônomos da região já tinham dado uma explicação que envolvia clima, solo e época de plantio, mas a teoria da Chiquinha continuava sendo a mais aceita.

"Não há 'mulestia' pior que topar com a finada Chiquinha no 22 de julho. Se o sopro que ela usa pra secar as favas passar por você, sua pele fica engilhada que nem um maracujá!".

Essa era a voz de sua avó fervilhando em sua mente enquanto ela tentava escapulir da plantação de fava que estava a sua esquerda.

"'Cumadi' Mariinha foi a derradeira a topar com a assombração. Tava voltando vexada de uma festa lá nas brenhas e não conseguiu chegar a tempo em casa. A pele dela era a mais lisa do vilarejo, e veja como está hoje!".

A velha Mariinha era a pessoa mas enrugada que Valdinha já havia conhecido, e só de imaginar que ela poderia ficar daquele jeito, apertou ainda mais o passo.

Barulhos... Vultos... Ventos gélidos... O coração de Valdinha ia entrando em disparada, e ela tentava se acalmar lembrando do conselho dos amigos de Sampa que conhecera pela internet: "Fantasmas não existem! Isso são histórias que contam pra assustar! Saia na madrugada desse dia e prove pra você mesma que é balela!".

Com certeza ela não teria se aventurado a sair tão tarde de casa não fossem as intermináveis conversas com seus amigos da cidade grande, mas agora, na hora do vamos ver, o medo acabava tomando conta...

Já passava da meia noite e, finalmente, ela havia chegado ao fim da enorme plantação de fava. Só pra garantir, deu uma olhada para trás e, ao ver que tudo estava calmo, se orgulhou de provar tudo não passava de uma lenda urbana! Porém, não imaginava que estava cantando vitória antes da hora...

Quando Valdinha se virou novamente, deu de cara com um vulto de uma mulher vestida de branco que logo soltou um grito aterrorizante! Não preciso dizer que nossa heroína saiu desembestada estrada a fora batendo todos os recordes mundias dos 100, 400 e 800 metros rasos. 

Ao ouvir o farfalhar das favas ao vento (bem sugestivo do sopro de Chiquinha), tirou energias sabe-se lá de onde pra evitar que a atingisse, mas ainda assim teve a impressão de ser tocada por uma leve brisa...

Chegando em casa, a primeira coisa que fez foi, com um certo receio, se olhar no espelho. Ao verificar que estava tudo normal, soltou um longo suspiro! 

Logo após isso, entrou numa dessas redes sociais e contou a recente história pra um dos seus amigos de São Paulo, que por sua vez riu e garantiu, embasado nos seus conhecimentos do quarto período de psicologia, que aquilo tudo tinha sido fruto da imaginação de Valdinha.

Mais calma, Valdinha foi pra cama, não sem antes dar mais uma conferida no espelho: Tudo estava bem!

No dia seguinte, após uma noite repleta de pesadelos, Chiquinha foi acordada aos barulhos do fuxico de sua mãe e a vizinha aos fundos. 

Com um cansaço fora do comum, ela se vestiu e partiu para cozinha a procura de um reforçado café da manhã!

Como de praxe, cumprimentou sua mãe e a vizinha a caminho da mesa já montada, porém, para sua surpresa, sua mãe desmaiou imediatamente e a vizinha ficou boquiaberta em estado de choque...

Valdinha ficou sem entender o que se passava até conseguir ver seu reflexo numa panela pendurada e não conseguir diferenciar de um maracujá murcho...

Sim, a maldição que outrora Valdinha debochara se tornou real, e agora ela estava fadada a viver daquele jeito pro resto de seus dias...